O trabalho de um massoterapeuta no futebol
Natural de Poços de Caldas,
Áureo Cesar sempre foi um amante do futebol. Em 1995, acompanhava o futsal da
GM Costa e ajudava como massagista. Na mesma época, coincidiu de faltar um profissional
da área no futebol de campo da Caldense e aí veio o convite. O até então
inexperiente “Aurinho”, sequer sabia aplicar uma injeção, mas aceitou o desafio.
Iniciou sua carreira no futebol profissional como massagista e no decorrer dos
anos foi se aprimorando para se tornar um massoterapeuta. Entre passagens por
Ponte Preta, Ituano, Volta Redonda, Mogi-Mirim e Paulista, Áureo está sempre
integrando a comissão técnica da Veterana.
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Áureo Cesar e Renan Muniz durante a entrevista. |
Como é sua rotina de trabalho?
Sou um dos primeiros a chegar
ao clube, tenho que preparar tudo o que os atletas vão precisar ingerir antes,
durante e depois dos treinos. Separo os
suplementos e medicamentos que cada jogador deve tomar, ajeito os líquidos para
o pessoal poder se hidratar. Na falta de um médico, o massoterapeuta está
sempre presente para ajudar. Se um atleta tem uma indisposição, por exemplo,
ele me procura, eu faço uma análise e o direciono aos departamentos necessários.
Durante a pré-temporada, muitos atletas não estão nas condições físicas
ideias. Por isso, existe um desgaste maior. Sua participação nesse período é
mais intensa?
A pré-temporada realmente é
mais desgastante, os atletas se esforçam mais e consequentemente eu acabo tendo
mais trabalho. Tenho que realizar mais sessões de massoterapia para deixar os jogadores
aptos para os treinos e jogos.
Quais cuidados você tem de tomar para preservar a integridade física
dos atletas?
Tenho que tomar muito cuidado
com a medicação. Existem diversas substancias proibidas que estão presentes em
vários remédios. Por isso, tenho de ser cauteloso quando indico suplementos ou
medicações para que os jogadores não sejam pegos em exames de doping e não
prejudiquem nossa equipe.
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Áureo, massoterapeuta da Caldense. |
Como é feito o controle alimentar no cotidiano dos jogadores?
Os atletas estão acostumados,
já sabem o que pode e o que não pode comer. Todos são muitos profissionais
quanto a isso, mas é claro que os orientamos em determinadas situações para
podermos sempre mantes as condições físicas do grupo. Além disso, os jogadores
que moram no CT, recebem alimentação balanceada diariamente.
Você teve o privilégio de participar das duas principais campanhas da
história da Caldense no Campeonato Mineiro, 2002 e 2015. Na sua opinião, qual era
o diferencial dessas equipes?
O diferencial dessas equipes
era a união. Em 2002 o time era muito unido. Nosso trio de ataque com Zezinho,
Gustavinho e Carioca era imbatível. O Zezinho tinha alguns problemas fora de
campo, bebia pra caramba, mas chegava no jogo, resolvia. Os outros jogadores do
grupo sabiam dessa dificuldade dele e o ajudavam muito, conversavam com ele, aconselhavam.
Todos estavam muito centrados e sabiam onde queriam chegar. Em 2015 tínhamos um
elenco muito bom, que teve como diferencial o técnico Léo Condé. Ele soube
extrair o máximo de cada jogador e encontrar um esquema que se encaixasse
perfeitamente nas características do time. A equipe era realmente uma família, um
clima sempre de descontração e alegria.
No primeiro jogo da final do Mineiro 2015, contra o Atlético no Mineirão,
você foi flagrado pelas câmeras dando uma piscadinha, a imagem foi destaque em
rede nacional. Qual foi o contexto daquela piscada?
O contexto em si eu não posso
revelar (risos). Mas foi uma brincadeira com uns amigos que eu tinha na equipe
do Atlético que ficaram sabendo de uma história minha e naquele momento alguém
me perguntou se era verdade e dei uma piscadinha para confirmar. Não sei se foi
felicidade ou infelicidade, mas a câmera me pegou. A imagem passou ao vivo na
TV, no telão do estádio e também no Fantástico. Quando cheguei no hotel e
peguei meu celular, tinha mais de 60 mensagens de amigos do futebol do Brasil
inteiro brincando comigo, foi muito bacana. Essa piscadinha ficou conhecida
como “a piscadela” (risos).
Certa vez eu viajei para a
Alemanha com o Ituano. Assim que chegamos lá, tivemos que ir ao banco para
poder trocar o dinheiro. Entramos na agência, passamos pela porta giratória e o
banco estava lotado. De repente, do nada, um dos rapazes do nosso grupo começou
a gritar “Isso aqui é um assalto! Isso aqui é um assalto!”. Eu fiquei
desesperado, queria sair dali para não me envolver em confusão, não sabia o que
fazer. Olhei para o lado e o pessoal tudo rindo da minha cara. Eu não estava
entendendo nada. Aí o rapaz que estava gritando veio me falar “Calma Aurinho, a
gente está na Alemanha, ninguém entende português!” (risos).
Texto e fotos: Renan Muniz.